Como funciona a Tabela TUSS: Guia de Reembolso 2026

Como médico, você lida diariamente com a Classificação Internacional de Doenças (CID) e provávelmente baseia seus honorários particulares na CBHPM. No entanto, quando você se torna o paciente e precisa solicitar um reembolso à sua operadora, surge uma sopa de letrinhas que pode gerar confusão e prejuízo financeiro.
Saber como funciona a Tabela TUSS é vital não apenas para faturar corretamente seus procedimentos, mas principalmente para entender quanto o seu próprio plano de saúde vai lhe devolver após uma consulta ou cirurgia.
Neste artigo, vamos traduzir a linguagem técnica da ANS, explicar a conexão direta entre esses códigos e o dinheiro na sua conta, e mostrar como escolher planos que valorizem a tabela que você utiliza.
O que é a Tabela TUSS?
A sigla TUSS significa Terminologia Unificada da Saúde Suplementar.
Ela foi criada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para padronizar a comunicação entre todos os agentes do setor: prestadores (médicos/hospitais), operadoras de planos de saúde e a própria agência reguladora.
Antes da TUSS, cada operadora usava códigos próprios, o que tornava a troca de informações um caos. Hoje, é a “língua oficial” do sistema privado.
Para você, médico beneficiário, a TUSS é importante porque é através desse código que a operadora identifica o que foi feito e decide se há cobertura contratual e qual o valor do reembolso.
A Diferença entre TUSS e CBHPM
Essa é a dúvida mais comum entre doutores ao contratar Planos de Saúde para Médicos.
- CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos): É criada pela Associação Médica Brasileira (AMB). Ela serve como referência para defender honorários médicos dignos, estabelecendo uma hierarquia de complexidade.
- TUSS (ANS): É a lista oficial obrigatória para troca de dados.
O Pulo do Gato: Na prática, a codificação da TUSS (os números do procedimento) é quase inteiramente baseada na CBHPM. Ou seja, o código para uma “Consulta Médica” na TUSS geralmente reflete a estrutura da CBHPM.
Porém, o valor pago não é obrigatoriamente o da CBHPM. A operadora usa o código TUSS para identificar o procedimento, mas paga de acordo com a tabela do contrato (que pode ser menor que a CBHPM).
>> Confira nosso artigo sobre Calcular Prévia de Reembolso
Tabela Comparativa: Quem dita as regras?
Para facilitar a visualização de quem manda em quê no seu plano de saúde, veja o resumo abaixo:
| Tabela / Sigla | Quem Cria? | Qual a Função Principal? | Impacto no seu Reembolso |
| TUSS | ANS | Padronizar nomes e códigos (troca de dados). | Define SE o procedimento é coberto (Rol). |
| CBHPM | AMB | Referência de valor mínimo ético e hierarquia. | Serve de base, mas não obriga a operadora a pagar o valor cheio. |
| Rol da ANS | ANS | Lista de cobertura obrigatória. | Se o código TUSS está no Rol, o plano deve cobrir. |
| Tabela Própria | Operadora | Definir quanto vale o reembolso (Múltiplo). | Define o VALOR final em reais que cairá na conta. |
Como a TUSS afeta seu plano de saúde?
Ao contratar um plano, seja ele empresarial ou entre os Planos de Saúde Coletivos por Adesão, você receberá um contrato que estipula o reembolso baseados em múltiplos.
Quando você envia o recibo para reembolso, o auditor do plano verifica o código TUSS.
- Identificação: O código 10.10.10.12 (exemplo fictício) corresponde a uma consulta?
- Cobertura: Esse código consta no Rol da ANS vigente?
- Cálculo: O plano multiplica o valor base pelo múltiplo contratado para aquele código TUSS específico.
Se o código estiver errado ou desatualizado na nota fiscal, o reembolso é negado ou pago a menor.
>> Confira nosso artigo sobre Documentação para Reembolso
A Importância de Planos com Tabela “Cheia”
Muitos planos básicos utilizam uma “Tabela Própria” redutora, que paga valores muito abaixo da TUSS/CBHPM.
Para médicos, recomendamos planos das linhas Premium (Bradesco Nacional Plus, Omint, SulAmérica Executivo). Esses produtos costumam alinhar seus pagamentos mais próximos à realidade da CBHPM, utilizando a TUSS apenas como indexador.
Isso garante que, ao se consultar com um colega de alto nível, você não tenha um prejuízo gigantesco na diferença entre o valor pago e o reembolsado.
>> Confira nosso artigo sobre Melhores Planos de Saúde Premium para Médicos
Perguntas Frequentes (FAQ)
Separamos as dúvidas mais buscadas sobre a codificação e seu uso prático.
1. Onde consulto o código TUSS de um procedimento?
Você pode consultar diretamente no site da ANS ou utilizar o site da AMB (para CBHPM, que é similar). Muitas operadoras também disponibilizam uma busca de procedimentos na área logada do beneficiário.
2. O médico é obrigado a colocar o código TUSS no recibo?
Não é obrigatório por lei fiscal, mas é altamente recomendado para agilizar o reembolso. Se o recibo tiver apenas a descrição por extenso, o auditor da operadora terá que “adivinhar” o código, o que pode levar a erros de classificação e reembolsos menores.
3. A TUSS define o preço do procedimento?
Não. A TUSS define a nomenclatura e o código. Quem define o preço (valor em reais) é a negociação entre prestador e operadora (na rede credenciada) ou o contrato de múltiplo de reembolso (na livre escolha).
Conclusão
Entender como funciona a Tabela TUSS é ter o controle sobre o seu benefício. Para o médico que atua como paciente, esse conhecimento evita glosas, negativas de cobertura e surpresas desagradáveis no extrato bancário.
Ao escolher seu convênio, não olhe apenas o preço da mensalidade. Verifique como a operadora trata a tabela de procedimentos e se os múltiplos de reembolso são compatíveis com a medicina que você pratica e consome.
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